Alessandro Marimpietri

Entrevista com o psicólogo Alessandro Marimpietri a respeito da orientação profissional.

Site do Colégio Anchieta: Entrevista com Alessandro Marimpietri

O que eu vou ser quando crescer?

A Orientação Profissional pode ajudar muitos jovens indecisos na escolha da profissão.

A escolha da profissão ainda é um dos grandes conflitos do final da adolescência. Diante da multiplicação de cursos e das dificuldades e competitividade do mercado de trabalho, os jovens ficam perdidos e se sentem angustiados na hora de escolher a profissão. Um dos principais recursos adotado para ajudar essas jovens é a Orientação Profissional (OP). Através da OP, a escolha da carreira profissional deixa de ser uma decisão momentânea, para se tornar um processo reflexivo contínuo, em que o jovem deverá conscientizar-se do compromisso que tem consigo mesmo e com a sociedade.

Nesta entrevista ao Portal Anchieta, o psicólogo, professor universitário e doutor em educação, Alessandro Marimpietri, explica como se comportam os jovens diante da escolha profissional e quais são os benefícios de um acompanhamento técnico neste momento tão delicado das suas vidas.
Entrevista sobre orientação profissional

Anchieta: É natural querer ter várias profissões? Aos 17, 18 anos, não é muito cedo para uma escolha?

Alessandro:
São duas perguntas cujas respostas se entrelaçam. De fato, ter que decidir por uma profissão e, mais ainda, alinhar-se na construção de uma identidade que mesma sempre acarreta ainda adolescentes é mesmo um grande desafio. Ainda mais numa cultura que cultua uma adolescência “elastecida”, sinônimo de felicidade e poucos acordos com a ordem da realidade, da responsabilidade, das faltas e incompletudes inerentes à vida humana. Quanto à primeira pergunta, vejamos: não era tão comum, como é hoje, que um jovem estivesse direcionando seus interesses por campos profissionais tão amplos, plurais e aparentemente divergentes. Isso é um fenômeno contemporâneo. Os tempos da atualidade são mais mutantes, camaleônicos e velozes, portanto, hoje não vejo como um problema a pluralidade de possibilidades, mas sim a crescente dificuldade de nossa juventude em fazer escolhas e, inelutavelmente, vivenciar perdas. Escolher uma profissão será sempre ter que abrir mão de outras tantas possibilidades. Não dá para fazer com as profissões o mesmo que nossos adolescentes fazem na frente dos inumeráveis canais televisivos, zapeando, ininterruptamente, passando por tudo e por nada ao mesmo tempo.

Anchieta: Como, normalmente, os adolescentes e jovens escolhem uma profissão ou curso superior?

Alessandro:
De muitas maneiras. Umas mais maduras e responsáveis e outras mais implicadas com uma visão mitificada do mundo profissional e quase sempre desconectada de uma tríade que julgamos importante: desejo, possibilidades e contexto. Acho que nesse processo é imprescindível um mergulho em si mesmo (desejo), uma boa olhada pelos arredores (contextos) e um enraizamento da ordem da realidade, pois essa é, talvez, a primeira escolha de ingresso no mundo adulto, que não precisa ser sinônimo de chatice nem de antítese de prazer, mas sim a conjugação dessas duas importantíssimas dimensões da vida.

Anchieta: A orientação vocacional, na escola, pode ajudar?

Alessandro: Pode. E muito! Em alguns países europeus, temos notícia de políticas de orientação profissional, que começam muito cedo nas escolas e com grandes resultados. No Brasil isso ainda é muito incipiente. O que vemos são ações isoladas e de resultados ainda muito tímidos. Entretanto, isso não retira da escola nem sua responsabilidade com esse tema, nem suas chances de realizar ações que possam contribuir para esse cenário.

Anchieta: Buscar uma Orientação Profissional é fundamental? Como funciona exatamente?

Alessandro: É fundamental, mas não em todos os casos. É possível que alguns jovens consigam sozinhos tomar essa decisão. Não obstante, nos casos em que isso não ocorra, é fundamental submeter-se a um processo de OP sério e responsável. Esse funciona essencialmente com testes, técnicas e muitas entrevistas que ajudem o jovem a tomar uma decisão de forma autônoma, que significa uma capacidade de escolher individualmente e, ao mesmo tempo, se envolver no contexto que o cerca. Nenhum orientador pode dirigir a escolha do jovem. Ele auxilia, mas quem tem que assumir essa responsabilidade é sempre o orientando.

Anchieta: Os jovens que passam pela experiência vocacional se sentem mais seguros no momento do vestibular?

Alessandro: Na imensa maioria dos casos, sim. Temos visto grandes resultados, pois como se trata de um processo encadeado e sempre singularizado para cada um dos orientandos, as chances de fortalecer subjetivamente os jovens são imensas. O vestibular não é um rito de passagem, mas um mecanismo de exclusão. Portanto, uma das dimensões da OP é mesmo criar estratégias em conjunto para enfrentar tal fato, que, para mim, é um grande sintoma social.

Anchieta: O serviço (Orientação Profissional) hoje é acessível? Testes vocacionais disponíveis na web são confiáveis?

Alessandro: Os serviços de OP hoje são muito acessíveis. Sugiro buscar os profissionais filiados à ABOP, que é nossa associação brasileira de orientadores profissionais. Quanto aos testes na web, não acho os mais confiáveis, especialmente porque são padronizados e não acredito nisso. Um teste por si só, por melhor que seja, não é nada. É preciso conhecer de perto as pessoas que se submetem a ele.

Anchieta:
Além de se identificar e ter aptidão, que fatores devem pesar na hora de escolher a carreira? O potencial econômico de uma profissão deve pesar no momento da escolha?

Alessandro: Não há certo e errado nesse processo. Não acho que a motivação econômica seja menos importante do que, por exemplo, a de trabalhar com o social. Isso é preconceito. O que é importante é perceber o que realmente é importante para cada jovem orientando e ajudá-lo a construir um caminho nessa direção. Por outro lado, temos visto jovens escolherem, baseados em mitificações fantasiosas de ganhos rápidos e fáceis. Temos, portanto, que, mediante um intenso trabalho de informação, desconstruir esses mitos junto aos jovens para que suas escolhas sejam efetivas e realizáveis.

Anchieta: Nesse processo de escolha, ouvir outras pessoas é uma boa? Até que ponto a interferência dos pais na escolha profissional dos estudantes é positiva?

Alessandro: É impossível escolher sem sofrer influências. Elas começam antes mesmo do nosso nascimento. O que não quer dizer que essas interferências sejam decisórias. Nesse sentido, os pais podem atrapalhar muito ou ajudar muito. Um pai e uma mãe ajudariam muito se incentivassem seus filhos a sustentarem seus desejos e municiassem os mesmos de informações sobre um mundo – o do trabalho – que seus filhos desconhecem.

Anchieta: Como as escolas podem ajudar os alunos nesse processo de escolha de carreira?

Alessandro:
Desenhando políticas e ações consistentes de OP.

Anchieta:
Muitos jovens ficam bastante apreensivos por não conseguirem se decidir por qual curso escolher. Que orientação você pode dar a eles?

Alessandro:
Assuma as dores e delícias de escolher uma profissão, olhe para dentro e para fora e tome uma decisão. Se achar que não consegue fazer isso sozinho, busque a ajuda adequada. Por fim, um pouco de sorte não faz mal a ninguém!



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