Alessandro Marimpietri

Quem tem um sonho não dança! Os desafios da escolha profissional na atualidade.

Alessandro Marimpietri

Toda escolha envolve riscos, perdas, possíveis ganhos e quase sempre uma boa dose de ansiedade. Acercar-se da escolha profissional e do amplo espectro de atividades que permitirão estarmos mais próximos ou mais distantes desse sonho, significa envolver-se por diversas emoções inerentes a esse processo. Isso acontece por vários motivos, mas o principal é que estamos diante de uma importante decisão, que se refere à nossa identidade, ou seja, o que vamos ser profissionalmente no futuro. Em nossa cultura, isso tende a ocorrer na adolescência. Por isso é preciso salientar que tipo de compreensão nós temos sobre esse conceito e que novos contornos a atualidade tem emprestado ao mesmo.

Adolescência é uma invenção de nossa cultura. Portanto, ela muda com o passar do tempo, com as transformações sócio-históricas. A adolescência foi inventada para ser uma etapa da vida, que representasse um intervalo entre os papéis da infância e os da vida adulta. Sendo assim, criamos essa fase para funcionar como uma preparação da vida adulta e um tempo de despedida da infância, tudo isso regido pela ética do dever. Será que ainda podemos compreender assim? Os novos tempos, chamados de hipermodernos, revelam uma nova adolescência. Essa deixa de ser uma fase da vida e passa a ser um modo de viver a vida, criando uma noção mais simbólica e menos cronológica em que se pode ver um adolescente com 09 ou 35 anos de idade! Tudo isso regido por uma ética do desejo de caráter destacadamente hedonista. Os novos jovens (instantâneos, criativos, flexíveis, pragmáticos, sensoriais, imagéticos) são as principais testemunhas de que criamos, aos poucos, um outro tempo, com novos contornos subjetivos. Agora imaginemos como será para esses jovens escolher uma profissão nesse contexto. A primeira dificuldade tem relação com o tempo.

Escolher a profissão é desenhar um projeto de vida e isso exige um olhar sobre o passado, conhecimento do presente e principalmente projeção do futuro. Isso se vê realmente dificultado por uma cultura que ensina ao jovem que ele está aprisionado a um eterno presente. Assim, esperar que se consiga isso num piscar de olhos ao fazer 17 anos é, no mínimo, ingenuidade. O outro ponto está imbricado com a possibilidade de conviver com a falta. Escolher é sinônimo de perder. Ou seja, para fazer qualquer escolha, é preciso se deparar com a falta. Temos que abrir mão de algo para conseguir escolher. Num tempo em que elogiamos a anestesia pela via dos excessos dos consumos, o que testemunhamos é uma dificuldade em lidar com as perdas, inerentes a toda e qualquer escolha.

Então vejamos: ensinamos nosso jovem a não sofrer, a não se frustrar, a não se responsabilizar efetivamente por quase nada e, em seguida, exigimos que ele faça a coisa certa e, de forma madura, escolha sua profissão. Os desafios não param por ai. Nosso tempo tem como certo a incerteza. Tudo muda sempre e muito rápido. Aquilo que era valor amanhã está obsoleto. Portanto, escolher uma profissão baseados nas certezas das carreiras de sucesso certo é um equívoco crasso. Precisamos, ao contrário, ajudar nossos meninos e meninas a desconstruir os mitos profissionais e mergulhar de olhos bem abertos num processo de informação profissional e, mais que isso, se conectar com o seu desejo. Essa verdade interior precisa encontrar lugar fecundo na ordem da realidade, pois essa é, seguramente, uma condição necessária a uma escolha contemporânea, ainda que nunca suficiente.



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